sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Medo de Perder

Depois de ter perdido a minha melhor amiga fiquei com medo das amizades, não estava disposta a morrer um pouco mais com outra ausência repentina na minha vida.
Sempre me queixei que foi com a amizade que aprendi a chorar, mais ainda do que com o amor.
Há sempre aquela sensação de companheirismo e cumplicidade que a amizade tem e não consegue explicar, e no amor essa explicação tem muitas linhas que podem ser escritas.
Lamentei-me muito por ter sido com as amizades que aprendi o verdadeiro significado de traição, porque simplesmente fiquei perdida e parada no tempo sem saber a razão de estar a tentar perceber onde estão os amigos.
Depois de ter estado tanto tempo ao lado dos amigos, em momentos de silêncio, um dia hei-de saber quem eles são... por agora sei apenas quem eu sou.
Certamente quem me ouve diz que sou “exagerada”, mas quem conhece o significado da verdadeira amizade, possivelmente, tem tanto ou mais medo da amizade do que eu.
Acho que são os sentimentos que temos pelas pessoas erradas que nos tornam ainda mais humanos, embora esses nos atordoem e adormeçam a alma. Por isso, com o tempo, aprendi a dizer que a amizade é subjectiva, mas ou se tem ou não se tem... e eu prefiro privar-me dessa coisa estranha. Sim prefiro privar-me dela, após várias tentativas falhadas para lutar por uma amizade que foge na sombra das horas. Simplesmente já não procuro uma amizade onde quer que ela esteja, tenha ela a cor e forma que tiver; apenas a encontro.
Dito isto, a amizade é como o amor: ambos não se procuram, mas sim, encontram-se!

.Filipa Moreira

Medo de Amar

Era uma palavra... Apenas uma palavra e no entanto os meus lábios só sentiam a dor.
Deixar de ser “eu”. Para podermos ser “nós” é um processo lento e nem sempre bem sucedido.
Dói-me lembrar-te ajoelhado a meus pés a implorar perdão por um pecado que nem sabes que cometeste.
Dói-me porque queres apagar as minhas lágrimas com as tuas.
Era apenas uma palavra... uma palavra a negar a estranha necessidade de ser tua sem o ser.
Sabes que quis fugir? Fugir de ti, fugir do amor que te tenho e me prende as asas...
Ainda assim, agarraste-me com força, as lágrimas a escorrerem-te pela face, a desfazerem-te o coração.
Sabes que sou cobarde? Sim, profundamente cobarde. Estupidamente cobarde e no entanto amas-me assim ou pelo menos aprendeste a amar-me.
Qual das duas foi, interrogo-me... Mas por muito que o faça nunca vou descobrir.
Porque as tuas mãos se tornaram fogo em volta das minhas, os teus braços esmagaram a minha cobardia, o meu medo de amar.
Ser feliz nem sempre é fácil, sabias? Ser feliz às vezes também dói. Porque ter-te a meu lado é toda a minha felicidade, a minha única felicidade e no entanto por vezes pareces-me tão distante, tão inconformado.
Já te disse que ficas lindo quando choras? Na infelicidade também existe poesia e nos teus olhos cheios de lágrimas também existe amor.
É nas tuas lágrimas que vejo o meu coração porque ele está dentro de ti numa profundidade que só os pensamentos mais profundos conseguem alcançar.
Sim, é em ti que vivo e no entanto quis fugir de ti, trazendo o rancor no meu coração.
Porquê, perguntas-me tu e deitas-te em mim e abafas-me de carinho.
Porque amar-te é a única coisa que não sei fazer, porque me surpreendo a cada dia com este amor, porque ele me ultrapassa e me enche de maresia.
E por isso amor, tenho medo.
Medo da grandiosidade.
Medo de precisar de ti mais do que precisas de mim.
Medo de acordar de um sonho e recordar os teus lábios a tocar nos meus mesmo num sonho profundo.
Medo do medo de amar.
E ainda assim, enlaças-me em ti.
Quero-te, dizes tu.
E eu sei, estranhamente, que é verdade. Sei, e assim silencio o medo, apago as lágrimas e adormeço em ti.

.Filipa Moreira

Dependência

Não quero depender do mundo nem mesmo de ti; quero depender apenas de mim própria, do meu futuro, e, não do meu passado ou presente. Pois o passado já lá vai (de muitas coisas me arrependo e de outros nem por sombras!), do presente, que simplesmente é o agora, dependo dele todos os dias! É disso que quero deixar, deixar de pertencer ao presente e passar apenas a pertencer ao futuro; imagino sempre de como será o meu e/ou o nosso futuro, se realmente pensarmos no quanto o mundo cresceu até agora, damos conta das tecnologias, das pessoas que passam na nossa vida que deixam sempre um pouco delas em nós, e elas levam um pouco de nós com elas, das nossas próprias questões amorosas (em que pensamos se será para a eternidade; em relação ao presente, eu espero que seja), da capacidade da Terra em relação a tudo, e é aí mesmo que eu quero chegar, se o mundo cresceu tanto até agora, como será ele no futuro? De que dependeremos? Que novas tecnologias surgirão? (São apenas algumas questões que me coloco, das quais só, e só, no futuro terei resposta.) 
Deixo apenas uma interrogação para ti, 'de que dependes tu?' Preocupamo-nos com coisas que, às vezes, nem valem a pena, ou simplesmente que nos fazem perder um pouco do nosso tempo de vida; 
outra pergunta: 'com o que é que nos deveríamos de preocupar?' são questões, estas, que podemos (ou não) duvidar da nossa existência, do que estamos aqui a fazer e, que por vezes, se acharmos que são questões insuficientemente importantes para perdermos o nosso tempo, apenas não devemos reflectir sobre elas e seguir em frente, mas isso depende do pensamento de cada um..
Conclusão? (simplesmente para mim, essa palavra: conclusão, não existe; pelo menos neste conteúdo)


.Filipa Ferreira