Era uma palavra... Apenas uma palavra e no entanto os meus lábios só sentiam a dor.
Deixar de ser “eu”. Para podermos ser “nós” é um processo lento e nem sempre bem sucedido.
Dói-me lembrar-te ajoelhado a meus pés a implorar perdão por um pecado que nem sabes que cometeste.
Dói-me porque queres apagar as minhas lágrimas com as tuas.
Era apenas uma palavra... uma palavra a negar a estranha necessidade de ser tua sem o ser.
Sabes que quis fugir? Fugir de ti, fugir do amor que te tenho e me prende as asas...
Ainda assim, agarraste-me com força, as lágrimas a escorrerem-te pela face, a desfazerem-te o coração.
Sabes que sou cobarde? Sim, profundamente cobarde. Estupidamente cobarde e no entanto amas-me assim ou pelo menos aprendeste a amar-me.
Qual das duas foi, interrogo-me... Mas por muito que o faça nunca vou descobrir.
Porque as tuas mãos se tornaram fogo em volta das minhas, os teus braços esmagaram a minha cobardia, o meu medo de amar.
Ser feliz nem sempre é fácil, sabias? Ser feliz às vezes também dói. Porque ter-te a meu lado é toda a minha felicidade, a minha única felicidade e no entanto por vezes pareces-me tão distante, tão inconformado.
Já te disse que ficas lindo quando choras? Na infelicidade também existe poesia e nos teus olhos cheios de lágrimas também existe amor.
É nas tuas lágrimas que vejo o meu coração porque ele está dentro de ti numa profundidade que só os pensamentos mais profundos conseguem alcançar.
Sim, é em ti que vivo e no entanto quis fugir de ti, trazendo o rancor no meu coração.
Porquê, perguntas-me tu e deitas-te em mim e abafas-me de carinho.
Porque amar-te é a única coisa que não sei fazer, porque me surpreendo a cada dia com este amor, porque ele me ultrapassa e me enche de maresia.
E por isso amor, tenho medo.
Medo da grandiosidade.
Medo de precisar de ti mais do que precisas de mim.
Medo de acordar de um sonho e recordar os teus lábios a tocar nos meus mesmo num sonho profundo.
Medo do medo de amar.
E ainda assim, enlaças-me em ti.
Quero-te, dizes tu.
E eu sei, estranhamente, que é verdade. Sei, e assim silencio o medo, apago as lágrimas e adormeço em ti.
.Filipa Moreira
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